Mire na superação: tiro adaptado e suas oportunidades ilimitadas

Pioneirismo do Instituto ATA Brasil garante inclusão de pessoas com deficiência no mundo do tiro esportivo

Promover a inclusão e a responsabilidade social no Brasil é um grande desafio. No tiro esportivo não é diferente, pois ainda há muito preconceito por parte da sociedade em relação ao esporte. Nesse sentido, o Instituto ATA (Atleta do Tiro Adaptado) se dedica a promover e desenvolver uma categoria de tiro desportivo adaptada para pessoas com deficiência (PCD).

Cristiane Viana, presidente e fundadora do Instituto ATA Brasil, acredita que o tiro desportivo para atletas adaptados é mais do que um esporte, é uma jornada de superação, força interior e realização pessoal. “Estamos empenhados em desafiar percepções negativas associadas a essa modalidade esportiva, buscando transformá-la em um meio inclusivo e construtivo para todas as pessoas e a sociedade”.

Fundado em 2023, o ATA é uma iniciativa pioneira no Brasil voltada para a promoção da responsabilidade social no âmbito do esporte. E essa jornada começou quando Cristiane Viana sentiu a necessidade de fomentar a inclusão dentro do tiro esportivo. “O Instituto é uma organização pioneira que se dedica a promover e desenvolver uma categoria de tiro desportivo adaptada para pessoas com deficiência”, explica.

Apaixonada pelo esporte, ela desenvolveu há quatro anos o aplicativo Proshooters, responsável por apurar competições de tiro esportivo em tempo real. Para apresentar as funcionalidades do aplicativo para clubes, organizações e atletas, competições próprias foram organizadas. “Foi, então, que percebi que não existia a presença de atletas com deficiência, pois também não havia incentivo para eles dentro da categoria. A partir daí, decidi criar um projeto para trabalhar com atletas PCD no tiro desportivo”, recorda Viana.

Cristiane conta que ficou maravilhada ao ser apresentada ao projeto “Renascer Servir e Proteger”, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, que trabalha seus vitimados em combate em outras modalidades esportivas. “Foi quando fui convidada a trabalhar exclusivamente dentro do projeto Renascer com a modalidade de tiro esportivo. Com o tempo, nosso trabalho começou a crescer, os estudos foram cada vez mais aprofundados e os atletas PCD se destacaram nas competições esportivas, ganhando reconhecimento e chamando a atenção de outros atletas, incluindo aqueles que não eram militares e vinham de outros estados”, pontua.

No início deste ano, nasceu o Instituto ATA Brasil. Inicialmente, com o objetivo de acolher os atletas de outras forças militares, atletas civis e de diferentes regiões do Brasil, para que pudesse replicar o trabalho pioneiro desenvolvido no Rio de Janeiro para todo o Brasil e até para o exterior.

Atualmente, o Instituto conta com atletas com deficiência que sejam elegíveis para o tiro desportivo. “O Instituto ATA Brasil rapidamente se tornou uma referência nacional em inclusão nessa modalidade esportiva. Hoje, com grande orgulho, podemos afirmar que contamos com atletas em todas as regiões do país, ofertando a eles a oportunidade de se desenvolver no esporte e alcançar seu potencial máximo”.

Guiado pela promoção da inclusão e da transformação, o Instituto ATA vem transformando a vida dos atletas, de suas famílias e todas as pessoas que interagem com os PCDs. E os resultados são notáveis. “Após envolver-se no tiro desportivo, testemunhamos histórias genuínas de indivíduos que deram um novo significado às suas vidas. Alguns voltaram a estudar, casaram, tiveram filhos, enquanto outros se tornaram instrutores de tiro e começaram a ensinar. É incrível observar o desenvolvimento dessas pessoas e a maneira como elas se tornam agentes de transformação, inspirando outros e contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. Os resultados são verdadeiramente inspiradores e reforçam nossa dedicação à missão do Instituto ATA Brasil”.

Marcos Nunes, atleta da categoria cadeirante, reconhece o comprometimento do ATA Brasil em relação à inclusão. “O Instituto surgiu no momento perfeito, trazendo um impulso vital ao mundo do tiro esportivo, especialmente no que diz respeito ao tiro adaptado. Ao buscar paratletas de todas as regiões do país, o ATA já está fazendo história ao enviar um contingente notável de competidores altamente qualificados para competições nacionais e internacionais”.

Ele avalia que a existência de uma instituição dedicada a promover a inclusão e avançar na categoria de atletas com deficiência é de extrema importância. “Isso não apenas incentiva paratletas que nunca tiveram oportunidades para demonstrar todo seu potencial esportivo, mas também contribui para desfazer narrativas negativas que cercam nossa modalidade. Além disso, o ATA desempenha um papel fundamental na promoção da unificação da categoria PCD no tiro esportivo no Brasil. Torço, sinceramente, para que o Instituto obtenha os recursos necessários para continuar seu excelente trabalho em prol da inclusão de paratletas no tiro esportivo”.   

Andracy Falconeri, que também é atleta da modalidade cadeirante, concorda com Nunes em relação ao apoio essencial que a instituição oferece aos esportistas PCD. “O ATA Brasil tem alcançado um feito, verdadeiramente, histórico na vida das pessoas com deficiência em diversas competições. Se não fosse pela incrível dedicação deles, assumindo todos os nossos custos, desde munição e alimentação até hospedagem, simplesmente não teríamos conseguido chegar tão longe”.

A coragem e determinação demonstradas pela diretoria do Instituto ATA levaram o Brasil a conquistar o título de maior participação de paratletas do mundo no tiro prático, no evento Ultimate IPSC. “Agora, estamos nos preparando para o Campeonato Brasileiro de IPSC da CBTP, e, se Deus permitir, este sonhador veterano acredita que o ATA e a CBTP realizarão o nosso sonho de representar o Brasil em um campeonato mundial. Isso não apenas honrará nosso país, mas também servirá como um exemplo do que é inclusão genuína”, completa Falconeri.

Superação

O slogan “Mire na Superação: Oportunidades Ilimitadas no Tiro Adaptado”, que estampa o site do Instituto ATA Brasil, reflete a opinião da diretoria de que as oportunidades para os atletas do tiro adaptado são verdadeiramente infinitas.

“A resiliência e a determinação que testemunhamos em nossos atletas são extraordinárias e impactam positivamente não apenas em suas próprias vidas, mas também em nossas vidas. Eles nos desafiam a lutar por um mundo mais inclusivo e acessível, onde o respeito ao indivíduo, independentemente de suas situações, seja a norma”.

Os atletas, segundo a presidente, são verdadeiros agentes de transformação, inspirando outras pessoas com necessidades especiais a perceberem que tudo é possível quando se tem vontade. “Para nós, a sigla PCD não representa ‘pessoa com deficiência’, mas sim ‘pessoa com determinação’. Acreditamos que a determinação é a força motriz que permite a todos superarem desafios e alcançarem seus objetivos, não importando quais obstáculos possam surgir em seu caminho”, se orgulha Cristiane Viana.

Como participar?

Para se tornar membro do Instituto ATA Brasil é preciso passar por um processo simples, conforme esclarece a presidente. “Inicialmente, entre em contato com a instituição e preencha uma ficha. Em seguida, o atleta será conduzido a uma entrevista para que a diretoria possa compreender as particularidades da condição física do candidato, avaliar sua experiência prévia no esporte e identificar a modalidade de interesse. Com base nessas informações, orientamos o atleta para a categoria mais completa”.

As categorias para a prática esportiva são: cadeirante, aquelas com lesões ou amputações em membros superiores e inferiores, bem como pessoas com mobilidade reduzida; e PNE livre, que tem como propósito incluir outras deficiências, como visuais e auditivas.

Vale ressaltar que, mesmo que a lei reconheça muitas pessoas como PCDs, isso não implica automaticamente que elas sejam elegíveis para a prática da modalidade, pois sua condição legal de PCD nem sempre implica limitações físicas que interfiram na prática esportiva.

“Nosso compromisso é seguir as regras e disposições estabelecidas pelas entidades organizadoras de eventos e confederações esportivas. Ao mesmo tempo, procuramos colaborar com as entidades, buscando unificar as categorias sempre que possível, a fim de promover uma maior inclusão e igualdade. É fundamental observar que, para ser um atleta atirador, os candidatos PCD também devem atender às exigências do Exército Brasileiro”, reforça Cristiane.

Apoio

Atualmente, o ATA é financiado apenas por sua presidente e não conta com doações, patrocínios e/ou investimentos públicos ou privados. Despesas essenciais, como passagens aéreas, hospedagem, munições, uniformes, alimentação, transporte terrestre e taxas de inscrição, para permitir que os atletas participem de competições, bem como custos de despesas burocráticas do instituto, são de responsabilidade da própria instituição. “Devido a essa realidade, ainda não conseguimos implementar todos os projetos que idealizamos. Buscamos parcerias com clubes para isentar os atletas das taxas de filiação, e promovemos clínicas ministradas por instrutores de renome, proporcionando aos atletas a oportunidade de adquirir conhecimento e se desenvolverem”.

“Realizamos também outras ações, como auxiliar os atletas PCD na compreensão e aplicação de seus direitos legais, bem como propor projetos de lei junto a alguns parlamentares com o objetivo de viabilizar esses direitos”, completa Cristiane.

O aplicativo Proshooters é um dos parceiros, que destina parte das assinaturas de atletas e clubes para apoiar as iniciativas do Instituto. Clubes demonstram apoio ao abrir suas portas para associações e filiações em colaboração com a instituição. Além disso, a presidente conta que está em contato com grandes projetos. “Estamos em discussão com organizações como o W2C, explorando a possibilidade de o Instituto ATA Brasil chancelar e supervisionar a categoria PCD no evento”.

Apesar de receber apoio de pessoas que se unem e divulgam o trabalho realizado pelo ATA, ainda há um longo caminho a percorrer. “Estamos longe de alcançar o apoio das empresas com um foco significativo em responsabilidade social. Especialmente na indústria do nosso segmento, acreditamos que poderia contribuir de maneira substancial para o crescimento do esporte por meio da inclusão”, lamenta Viana.

Ampliação

Para os próximos anos, a intenção é estabelecer filiais da ATA Brasil em outros estados, o que permitirá a ampliação de programas de treinamento para atletas PCD em colaboração com clubes e organizações em diferentes regiões do país, promovendo a expansão e o aprimoramento da modalidade.

O diretor esportivo da ATA, Sandro Senna,está profundamente envolvido no estudo da adaptabilidade dos atletas PCD. Ele é professor de Educação Física, instrutor de armamento e tiro da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, e instrutor de pistola pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. Ele vem desempenhando um papel essencial como treinador da equipe carioca.

Em função da logística que separa os atletas em várias regiões do país, dificultando os treinamentos presenciais, Sandro elabora videoaulas que permitem que todos os atletas do ATA tenham acesso aos treinamentos a seco, incluindo exercícios de fortalecimento muscular.

É importante ressaltar que o tiro esportivo é a única modalidade esportiva verdadeiramente inclusiva, sem segregação por gênero, idade ou capacidade. Não existem campeonatos separados para homens e mulheres, nem categorias juniores ou master, e não há distinção entre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

“Todos competem juntos nos mesmos campeonatos e eventos esportivos. Essa unidade é um reflexo do nosso compromisso com a inclusão e é uma característica única do nosso esporte. Assim, mantemos nossa confiança em nosso trabalho e acreditamos que existe uma oportunidade valiosa para promover a inclusão no esporte, com o respaldo de um instituto que lidera essa inclusão de maneira responsável”, conclui Cristiane Viana.

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