Casa Salles: tradição centenária no mercado

Pioneira e tradicional no mercado, a Casa Salles é a loja de caça e pesca mais antiga de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Está há mais de 100 anos ofertando qualidade, segurança, conforto e um toque de esportividade aos seus clientes.

Com o slogan “De BH para o mundo desde 1881”, o empreendimento teve sua história iniciada em Ouro Preto, quando o comerciante João Salles fundou a empresa. Com o passar do tempo, a cidade histórica estava se tornando “pequena” para abrigar o crescimento do comércio. Visionário, João Salles decide mudar-se para Belo Horizonte e ampliar seus negócios. Em 1904, a Casa Salles ganhou novo endereço: a rua São Paulo, 325, no Centro. Desde então, os negócios prosperaram e a família Salles cresceu.

Atualmente, o empresário Guilherme Salles está à frente do empreendimento. Ele faz parte da quinta geração de comerciantes e é fiel às tradições. “Até hoje a Casa Salles mantém, desde sua fundação, suas mobílias, que foram transportadas de Ouro Preto pra cá por carros de boi. Outra curiosidade é a caixa registradora que está na loja desde a inauguração. A Casa Salles é uma loja histórica, quase um ponto turístico de Belo Horizonte”, enfatiza.

A gestão da empresa passou de pai para filhos.  E Guilherme afirma que a clientela também transcende as gerações. “Os momentos mais emocionantes ocorrem quando as pessoas lembram visitas com seus antepassados à loja. Depoimentos como: ‘Ah, que saudade do meu avô’ ou ‘Todas as vezes que eu vinha ao centro, minha avó passava aqui, e eu ficava admirando esta loja’ são falas comuns”, recorda.

Além disso, a qualidade dos produtos e a fidelidade à clientela continuam as mesmas. “Qualidade, honestidade e lealdade fizeram com que, nesses mais de 142 anos de história, a empresa criasse raízes na sociedade belo-horizontina”.

“A Casa Salles teve a sorte de ser o estabelecimento de ‘secos e molhados’ escolhido como o pioneiro em Belo Horizonte. No entanto, foi selecionada não apenas por sorte, mas também por colocar o cliente no centro de seu negócio desde o início. Sempre nos destacamos por oferecer produtos de alta qualidade, garantindo-os e mantendo um padrão de honestidade de 100% com seus clientes”, completa Salles.

Guilherme Salles conta que “o melhor momento da loja foi pós Segunda Guerra Mundial. Dizem que isso aconteceu devido à grande escassez de produtos na época, e mesmo quem tinha dinheiro não conseguia encontrar produtos para comprar. As fábricas de armas ainda tinham muita matéria-prima disponível e começaram a vender armas para os cidadãos civis”.

E, sobre o momento mais desafiador de seu negócio, pontua que foram fases nas quais houve regulações restritivas de armas de fogo no país. “No governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, ficamos seis meses sem emissões de licenças para compra de armas, uma estratégia muito semelhante à do governo atual. Hoje, com a incerteza jurídica, está muito difícil manter a loja”.

Impacto

Atualmente, o cenário brasileiro para os empresários e amantes do mundo das armas de fogo está incerto. Diante do novo decreto armamentista, Guilherme Salles revela impactos negativos nas vendas. “O novo decreto teve um efeito significativo na venda dos nossos produtos. Hoje, é praticamente impossível manter a loja aberta e cobrir os custos operacionais dependendo exclusivamente das vendas de armas de fogo”, lamenta.

Questionado sobre o preconceito em relação à venda de armas de fogo para o público de forma geral, ele foi enfático ao dizer que o tema é e sempre será polêmico. “No governo anterior, havia a turma do preconceito, mas a grande maioria é entusiasta. A mídia usou armas como pano de fundo para vender matéria, e a política fez uso disso para angariar votos, tanto apoiando quanto criticando a venda de armas. Isso transformou o debate em um tema presente na sociedade. Agora, está surgindo um grande número de pessoas que querem se destacar na política contra armas, usando esse discurso como se fosse a solução para desarmar a população e diminuir a violência. Isso é uma grande falácia”, explica o empresário.

Futuro

Para o futuro, Salles pretende investir em outros segmentos, mas sem perder a essência da loja. “Vamos manter as armas de fogo e munições apenas para atender ao nosso público fiel e preservar a história da empresa, sem necessariamente buscar lucro. Assim, abrir novas frentes para vender produtos mais relacionados a ‘secos e molhados’ do que armas de fogo parece ser uma estratégia sensata para mim. Essa diversificação pode ajudar nossa empresa a continuar operando e a atender às necessidades dos clientes de maneira mais abrangente”, destaca.

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