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Cultura e Comunidade

MAIS ARMAS MENOS CRIMES

Uma revisão bibliográfica sobre a política de acesso as armas de fogo e suas consequências.

Conteúdo demonstrativo. Este texto foi criado para testar o novo portal. Não é uma notícia ou análise factual.
mais armas menos crimes

RESUMO

O debate sobre a relação entre o aumento do acesso a armas de fogo e a redução da criminalidade é um tópico de discussão controverso e amplamente debatido nos dias atuais. A questão "mais armas, menos crimes" envolve considerações éticas, políticas, sociais e de segurança pública. Analisar essa abordagem requer uma avaliação crítica das evidências empíricas, das políticas de controle de armas e do impacto nas taxas de criminalidade. A pesquisa sobre esse tema procura entender se a maior disponibilidade de armas realmente contribui para a redução de crimes ou se há fatores mais abrangentes em jogo, como desigualdade social, pobreza e acesso a serviços públicos. Explorar essa temática proporciona uma visão mais aprofundada sobre os desafios e dilemas enfrentados na busca por sociedades mais seguras e justas.

Palavras-chave: Armas de Fogo; Criminalidade; Controle de Armas; Segurança Pública; Políticas de Prevenção.

ABSTRACT

The debate about the relationship between increased access to firearms and the reduction of crime is a controversial and widely debated topic today. The "more guns, less crime" issue involves ethical, political, social, and public safety considerations. Analyzing this approach requires a critical assessment of empirical evidence, gun control policies, and the impact on crime rates. Research on this topic seeks to understand whether the greater availability of weapons really contributes to the reduction of crimes or if there are broader factors at play, such as social inequality, poverty and access to public services. Exploring this theme provides a deeper insight into the challenges and dilemmas faced in the search for safer and more just societies.

Keywords: Firearms; Criminality; Gun Control; Public Safety; Prevention Policies.

1.  INTRODUÇÃO

A relevância do tema do índice de homicídios por arma de fogo é inegável, uma vez que a segurança pública é uma preocupação constante em qualquer sociedade. O aumento desses crimes tem um impacto significativo na vida das pessoas e na estabilidade social. Compreender a dimensão desse problema é fundamental para identificar suas causas e buscar soluções efetivas (SANTOS, 2016).

A análise dos dados estatísticos relacionados aos homicídios por arma de fogo é uma ferramenta essencial para compreender a magnitude desse fenômeno. Através da coleta e interpretação desses dados, é possível identificar tendências, padrões e variações regionais, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e combate a esse tipo de crime (ALMEIDA, 2019).

As principais fontes de dados utilizadas para calcular o índice de homicídios por arma de fogo são os registros policiais, os laudos periciais e as pesquisas populacionais. Os registros policiais fornecem informações sobre os casos registrados oficialmente, enquanto os laudos periciais oferecem detalhes sobre as características das armas utilizadas nos crimes. Já as pesquisas populacionais permitem estimar a subnotificação dos casos e obter informações sobre a percepção da população em relação à violência armada (RIOS, 2021).

É importante ressaltar que existem diferenças regionais significativas no índice de homicídios por arma de fogo. Algumas áreas apresentam taxas mais elevadas do que outras, o que pode ser atribuído a uma série de fatores, como desigualdade social, falta de investimento em segurança pública, presença do tráfico de drogas e disputas territoriais entre grupos criminosos. Compreender essas disparidades é fundamental para direcionar políticas públicas específicas e eficazes (ALBUQUERQUE, 2018).

Os grupos mais vulneráveis à violência armada são os jovens, as mulheres e as minorias étnicas. Essas populações enfrentam um maior risco de serem vítimas de homicídios por arma de fogo, o que evidencia a necessidade de políticas públicas direcionadas para proteger esses grupos. A implementação de medidas preventivas, como programas educacionais, campanhas de conscientização e ações afirmativas, pode contribuir para reduzir essa vulnerabilidade (SILVEIRA, 2021).

As consequências sociais e econômicas dos homicídios por arma de fogo são amplas e profundas. Além do aumento do medo da violência, esses crimes enfraquecem a economia local, afetando o turismo, o comércio e os investimentos. Além disso, a desestruturação das comunidades afetadas pela violência armada gera um ciclo vicioso de pobreza, marginalização social e falta de oportunidades (BENFICA, PADILHA, 2020).

Diferentes países adotam estratégias variadas para reduzir o índice de homicídios por arma de fogo. O controle rigoroso da venda e posse de armas é uma medida comum em muitos lugares, visando dificultar o acesso às armas por parte dos criminosos. Além disso, o investimento em programas sociais voltados para a prevenção da violência e a repressão ao tráfico ilegal também são estratégias adotadas por diversos países. A combinação dessas abordagens pode contribuir para uma redução efetiva do índice de homicídios por arma de fogo LARA, 2016.

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LINHA DO TEMPO   Marcos legais citados no artigo. Arte: Triggers Magazine.

2.  DESENVOLVIMENTO

2.1.  Armamento civil do Brasil: legislação

O armamentismo no Brasil sofreu constantes mudanças e também o crescimento de debates a respeito do tema desde a Constituição de 1988.

De acordo com TRINDADE (2017):

A Constituição de 1988 estabeleceu o direito à autodefesa como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, porém, também previu que a posse de armas de fogo deveria ser regulamentada por lei. Nesse sentido, ao longo dos anos, diversas leis foram promulgadas visando estabelecer normas para o porte e posse de armas no país.

A principal lei que regulamenta o comércio de armas e munições no Brasil é conhecida como Estatuto do Desarmamento, instituído pela Lei 10.826/2003.

De acordo com GODOI, GRILLO, TONCHE et al. (2020):

A legislação estabeleceu critérios mais rigorosos para a obtenção do porte e posse de armas de fogo, como a necessidade de comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica. Além disso, o Estatuto do Desarmamento também proibiu a comercialização de armas de fogo para civis e restringiu o porte apenas para casos específicos.

Existem restrições para aquisição de armas de fogo no Brasil com intuito de garantir a segurança da população, porém um ponto importante que inviabiliza o uso do armamento para civis é a comprovação de efetiva necessidade, que fica em critério da interpretação da Polícia Federal.

De acordo com SANTOS (2020):

A necessidade de comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica visa assegurar que apenas pessoas preparadas e responsáveis tenham acesso às armas. Além disso, outras restrições incluem a idade mínima para adquirir uma arma (25 anos), a proibição para pessoas com antecedentes criminais e a limitação do número de armas que um indivíduo pode possuir.

A flexibilização da legislação de armas no Brasil envolve polêmicas e refletem diferentes pontos de vista sobre o tema, há defensores do direito à autodefesa, argumentando que armas lícitas é uma forma legítima de proteção pessoal, e do contrário existem os que negam tal afirmação.

De acordo com SILVEIRA (2021):

Críticos apontam para os riscos associados ao aumento do acesso às armas, como o potencial aumento da violência e dos homicídios. Além disso, também se discute a influência das bancadas parlamentares ligadas à indústria armamentista na formulação da legislação.

Na legislação brasileira para armamento civil, é esperado impactos significativos no índice de homicídios por arma de fogo no país.

De acordo com ALBUQUERQUE (2018):

É fundamental que as políticas públicas estejam alinhadas com as evidências científicas e busquem promover a segurança da população.

No período entre 2017 e 2018, havia um apontamento de queda no total de homicídios e com relevância ainda maior no emprego de arma de fogo.

De acordo com REBELO, Fabrício (2020):

Estudos mostram a ordem de 12,29% (63.748 X 55.914), com destaque para aqueles em que empregadas armas de fogo, que caíram mais do que o total de mortes intencionais (13,33%). agora, com os dados de 2019 incluídos no sistema, ainda que em versão preliminar, a queda se revelou substancialmente maior. Para além disso, se o total de homicídios já indicava redução substancial, o uso de armas de fogo nesses crimes foi ainda mais emblemático. Haviam sido 41.179 registros de mortes intencionais com emprego de arma de fogo em 2018 (repise-se, 13,33% menos do que em 2017) e, em 2019, os registros caíram para 30.206, isto é, uma queda de 26,65%, o dobro da havida no ano anterior. Para se ter uma ideia, é o menor número desde 1999, quando foram computados 26.902 assassinatos com arma de fogo. São, portanto, dois anos de uma série consolidada de recordes inversos: drástica queda de homicídios, sobretudo aqueles com uso de arma de fogo, e substancial elevação na venda destas armas. E é exatamente isso que pode comprometer a ênfase nos números, tendo em vista que, mais uma vez, a máxima que vem regendo a abordagem do tema ao longo de quase duas décadas é empiricamente desconstituída. Afinal, novamente a relação entre armas legalmente postas em circulação e quantidade de homicídios se revelou inversamente proporcional.

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DADOS   Números citados por Fabrício Rebelo (2020). Os dados de 2019 são preliminares. Arte: Triggers Magazine.

2.2.  Armamento civil do Uruguai: Legislação

Na legislação uruguaia o regulamento do armamento civil é composto por leis e decretos que definem as normas e os procedimentos para a posse e porte de armas de fogo no país.

De acordo com LARA (2016):

As principais leis relacionadas ao tema, destaca-se a Lei nº 9.315, promulgada em 1934, que estabeleceu o controle estatal sobre a fabricação, importação, exportação, comércio e uso de armas de fogo. Essa lei foi posteriormente complementada pelo Decreto nº 315/979, que regulamentou os requisitos para obtenção de licença para posse e porte de arma.

Como em outros países, no Uruguai também existem restrições rígidas impostas para posse e porte de arma de fogo.

De acordo com BENFICA, PADILHA (2020):

Para obter uma licença, é necessário ser maior de 21 anos, ter residência legal no país, não possuir antecedentes criminais, apresentar exames psicológicos e físicos favoráveis, além de comprovar a necessidade da arma para defesa pessoal ou atividades profissionais específicas. Além disso, é exigido o registro da arma junto às autoridades competentes.

No Uruguai existem medidas efetivas de combate ao tráfico ilegal de armas, coopera internacionalmente participado de forma ativa não medindo esforços para controlar esse problema.

De acordo com TRINDADE (2017):

O governo uruguaio tem buscado fortalecer a troca de informações com outros países da região e tem apoiado iniciativas multilaterais voltadas para o combate ao tráfico de armas. Além disso, internamente, têm sido realizadas operações policiais e ações de inteligência para desmantelar redes criminosas envolvidas no tráfico ilegal de armas.

Estatísticas no Uruguai apontam o aumento no número de homicídios por arma de fogo nos últimos anos, se comparado os índices atuais com períodos anteriores, nota-se um crescimento desses números.

De acordo com RIOS (2021):

Diversos fatores podem ser apontados como possíveis causas para esse aumento, tais como o aumento do tráfico ilegal de armas, a presença de organizações criminosas violentas e a falta de políticas públicas efetivas para prevenir a violência armada.

O governo do Uruguai vem desenvolvendo políticas públicas com foco para a redução dos índices de homicídios por arma de fogo.

De acordo com SANTOS (2016):

Destacam-se as campanhas de desarmamento voluntário, que visam incentivar os cidadãos a entregarem suas armas ilegais ou não utilizadas em troca de benefícios sociais. Além disso, programas de prevenção da violência têm sido desenvolvidos em parceria com organizações da sociedade civil e instituições acadêmicas, visando promover a cultura da paz e combater as causas estruturais da violência.

Existe um duro debate no Uruguai sobre a relação entre o acesso facilitado às armas de fogo e o aumento da criminalidade.

De acordo com SANTOS (2020):

Argumentos favoráveis à flexibilização das leis de armamento civil defendem que o direito à autodefesa é fundamental e que cidadãos bem treinados e responsáveis podem contribuir para a segurança pública. Por outro lado, argumentos contrários destacam os riscos associados ao aumento do número de armas em circulação, como o potencial de acidentes, suicídios e uso indevido por parte de criminosos.

2.3.  Armamento civil do EUA: Legislação

Nos Estados Unidos da América, a Segunda Emenda da Constituição é o pilar fundamental no debate a respeito do armamento civil, ela garante o direito do povo de possuir e portar armas de fogo de diversos modelos e calibres.

De acordo com LARA (2016):

A interpretação dessa emenda tem sido objeto de controvérsia ao longo dos anos. Enquanto alguns defendem que esse direito é absoluto e inalienável, outros argumentam que ele deve ser limitado para garantir a segurança pública (LARA, 2016).

Em 1968 foi publicada a Lei Nacional de Armas de Fogo, que é uma legislação federal que estabeleceu as regras para a posse, compra e transporte de armas de fogo nos Estados Unidos da América, desde então ela passou por inúmeras alterações.

De acordo com BENFICA, PADILHA (2020):

A lei estabelece requisitos mínimos para a compra de armas, como a realização de uma verificação de antecedentes criminais e a obtenção de uma licença. Além disso, ela proíbe certos indivíduos, como condenados por crimes graves ou pessoas com transtornos mentais, de possuírem armas.

Existem particularidades entre estados americanos quanto a legislação de arma de fogo para civil, alguns adotam abordagens restritivas e outros permitem com mais naturalidade o acesso.

De acordo com SANTOS (2020):

Essa discrepância resulta em diferentes taxas de homicídios por arma de fogo entre os estados. Por exemplo, estados com leis mais permissivas tendem a ter taxas mais altas de homicídios por arma de fogo.

As armas automáticas vendidas nos Estados Unidos é alvo de polêmica, especialmente após tiroteios em que envolveram esse tipo de arma, geralmente em locais denominados gun-free zone.

De acordo com GODOI, GRILLO, TONCHE et al. (2020):

Enquanto alguns defendem a proibição dessas armas, argumentando que elas são excessivamente letais e não têm utilidade prática para o cidadão comum, outros argumentam que essa proibição violaria os direitos garantidos pela Segunda Emenda. Esse debate reflete a tensão entre a segurança pública e os direitos individuais no contexto do armamento civil.

Organizações armamentistas nos Estados Unidos desempenham um papel significativamente influenciador na legislação. A (NRA) National Rifle Association é a maior dessas organizações.

De acordo com ALBUQUERQUE (2018):

A NRA defende o direito dos cidadãos de possuir armas e tem sido ativa na promoção de políticas favoráveis ao armamento civil. Ela exerce pressão sobre legisladores e financia campanhas políticas para garantir que suas posições sejam levadas em consideração na formulação da legislação.

O armamentismo civil americano é baseado principalmente na proteção e na autodefesa contra um governo ditador, quem defende tal posição argumenta que o direito de possuir armas garante a essência da segurança familiar e pessoal.

De acordo com ALMEIDA (2019):

Além disso, eles afirmam que o acesso às armas é uma salvaguarda contra um governo opressivo, permitindo que os cidadãos resistam à tirania caso seja necessário.

2.4.  Comparativo do armamento civil entre BRASIL, URUGUAI e EUA

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COMPARATIVO   Síntese das seções 2.1 a 2.4 e dos autores citados. Arte: Triggers Magazine.

Existem diferenças significativas nas legislações entre Uruguai e Brasil no quesito de porte e posse de arma de fogo.

De acordo com RIOS (2021):

No Brasil para adquirir uma arma de fogo, é necessário passar por um processo burocrático que inclui a comprovação da capacidade técnica e psicológica, além da ausência de antecedentes criminais. Já no Uruguai, a legislação é mais flexível, permitindo que os cidadãos possuam armas para defesa pessoal sem a necessidade de autorização prévia.

Já no comparativo aos Estados Unidos, o acesso às armas de fogo é consideravelmente mais fácil que no Uruguai e no Brasil.

De acordo com SANTOS (2016):

A Segunda Emenda da Constituição Americana garante o direito dos cidadãos à posse e ao porte de armas, o que resulta em uma cultura enraizada na sociedade americana. Diferentemente dos outros dois países analisados, nos Estados Unidos não há uma regulamentação federal rígida sobre a compra e posse de armas, deixando essa responsabilidade para os estados individuais.

A taxa de homicídios por arma de fogo no Brasil é considerável, alguns estudos mostram que o país possui uma das maiores taxas de homicídio por arma de fogo do mundo.

De acordo com SILVEIRA (2021):

Essa realidade está diretamente ligada à facilidade com que as pessoas conseguem adquirir armas ilegalmente, contornando as restrições impostas pela legislação. Além disso, a presença de armas de fogo em situações de conflito interpessoal aumenta consideravelmente a letalidade desses episódios.

O governo brasileiro implementou políticas públicas como o Estatuto do Desarmamento para controlar o acesso às armas de fogo lícitas e com isso diminuir índices de criminalidade.

De acordo com BENFICA, PADILHA (2020):

Apesar dos esforços governamentais, ainda há desafios significativos na efetivação dessas políticas, como a falta de recursos para fiscalização e a dificuldade em desarmar grupos criminosos que possuem armamentos ilegais.

O tráfico de armas é diretamente influenciador da criminalidade tanto no Uruguai quanto no Brasil, existe uma facilidade de entrada dessas armas que alimentam o crime organizado.

De acordo com ALBUQUERQUE (2018):

Para solucionar esse problema do Brasil e Uruguai, é necessário um trabalho conjunto entre os governos dos dois países, fortalecendo as fronteiras e investindo em tecnologias de rastreamento de armamentos.

Na mais famosa chacina dos Estados Unidos, ocorrida em Columbine, que pode se dizer ser uma gun-free zone, se discutiu de forma intensa no estado do Colorado sobre a possibilidade de liberação de professores e alunos frequentarem o campus armados.

De acordo com REBELO, Fabrício (2012):

A investigação demonstrou que, se isso fosse uma realidade, o ataque teria cessado na primeira ou, no máximo, segunda vítima atingida pelo assassino. A questão ainda é debatida, sempre reavivada por ataques como o do cinema de Aurora, mas, do ponto de vista técnico, desprovido de contaminação ideológica, a questão já avançou e, hoje, se não professores e alunos, pelo menos seguranças armados já são presença constante no campus de Columbine, fato que era completamente proibido antes do ataque. Aqui no Brasil, na chacina de Realengo, bastaria um professor ou funcionário da escola armado para que o assassino das doze crianças inocentes fosse parado. Assim que a primeira arma além das dele chegou ao local, o ataque cessou. Só que isso já foi muito tarde para as doze vidas perdidas.

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3.  CONCLUSÃO

A análise do índice de homicídios por arma de fogo como um indicador da violência armada em uma determinada região é de extrema importância para compreender a dimensão e a gravidade desse fenômeno. Através desse indicador, é possível mensurar o impacto da violência armada na sociedade, identificar áreas de maior vulnerabilidade e direcionar políticas públicas efetivas para o combate a esse problema. Além disso, a análise desse índice permite comparar diferentes regiões e países, possibilitando a identificação de padrões e tendências que podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes no enfrentamento da violência armada.

Diversos fatores podem influenciar no aumento ou diminuição do índice de homicídios por arma de fogo. Políticas públicas voltadas para a segurança, como o fortalecimento das instituições policiais e investimentos em inteligência, podem contribuir para a redução desses índices. Da mesma forma, restrições mais rigorosas ao acesso às armas de fogo também têm sido apontadas como uma medida eficaz na prevenção da violência armada. Além disso, a desigualdade social e econômica pode ser um fator determinante nesse contexto, uma vez que áreas com maiores níveis de pobreza e exclusão social tendem a apresentar índices mais elevados de homicídios por arma de fogo.

O índice de homicídios por arma de fogo está intrinsecamente relacionado com outros indicadores sociais, como taxa de pobreza, desemprego e educação. Estudos têm demonstrado que regiões com maiores índices de pobreza e desigualdade social tendem a apresentar também maiores taxas de homicídios por arma de fogo. Além disso, a falta de acesso à educação de qualidade e oportunidades de emprego pode contribuir para o aumento da criminalidade e, consequentemente, do uso de armas de fogo.

As consequências diretas e indiretas do alto índice de homicídios por arma de fogo na sociedade são amplas e impactam diversos aspectos da vida em comunidade. O medo generalizado é uma das principais consequências, gerando um clima de insegurança que afeta a qualidade de vida das pessoas e limita suas atividades cotidianas. Além disso, o alto índice de homicídios por arma de fogo tem um impacto significativo na economia local, afetando o turismo, o comércio e os investimentos. Outra consequência importante é a desestruturação familiar, uma vez que a perda prematura de entes queridos gera traumas emocionais profundos e dificuldades no desenvolvimento saudável das crianças.

Para reduzir o índice de homicídios por arma de fogo, é fundamental adotar uma abordagem multidimensional que envolva diferentes setores da sociedade. Investimentos em segurança pública são essenciais para fortalecer as instituições responsáveis pelo combate à violência armada. Além disso, é necessário implementar políticas mais rigorosas para controlar o acesso às armas de fogo ilegais, bem como realização de verificações mais detalhadas dos antecedentes criminais dos compradores e a proibição de venda para pessoas com histórico de violência.

A coleta e análise dos dados relacionados ao índice de homicídios por arma de fogo são fundamentais para embasar políticas públicas efetivas no combate à violência armada. Através desses dados, é possível identificar padrões e tendências, bem como avaliar a eficácia das medidas adotadas. Além disso, a análise desses dados permite uma compreensão mais precisa da dinâmica da violência armada em uma determinada região, auxiliando na identificação de áreas prioritárias de intervenção e no direcionamento adequado dos recursos disponíveis.

Enfrentar o problema do alto índice de homicídios por arma de fogo requer um trabalho conjunto entre governo, sociedade civil e instituições acadêmicas. Existe a narrativa de que mais armas legais nas mãos de pessoas idôneas e treinadas significa menos crimes, vários fatores contribuem para poluir essa afirmação, porém, o contrário citado de que mais armas lícitas são responsáveis por mais crimes não correlaciona com a verdade de acordo com o estudo de caso aqui proposto. O governo deve assumir a responsabilidade de implementar políticas públicas efetivas e destinar recursos adequados para o combate à violência armada. A sociedade civil tem um papel fundamental na conscientização e mobilização da população em relação a esse problema, além de contribuir com propostas e soluções inovadoras. As instituições acadêmicas têm o papel de produzir conhecimento científico sobre o tema, fornecendo subsídios teóricos e práticos para embasar as políticas públicas e promover debates qualificados sobre o assunto. Somente através dessa cooperação será possível enfrentar efetivamente o desafio do alto índice de homicídios por arma de fogo e construir uma sociedade mais segura e justa.

4.  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBUQUERQUE, R. S. L. Perícia criminal: a importância para a comprovação da materialidade no crime de homicídio. Revista Acadêmica Online, [S.l.], v. 1, n. 1, p. 1-10, 2018. Disponível em: https://revistas.faculdadedamas.edu.br/index.php/academico/article/download/945/766. Acesso em: 30/08/2023.

ALMEIDA, V. Y. G. Reflexões sobre a química forense no Brasil e nos EUA, 2019. Disponível em: http://repositorio.furg.br/handle/1/7878. Acesso em: 30/08/2023.

BENFICA, F. S.; PADILHA, P. B. Análise crítica do contexto probatório em inquéritos policiais: Estudo retrospectivo em uma Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à. Revista do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, v. 1, n. 1, p. 67, 2020. Disponível em: https://revista.ibsp.org.br/index.php/RIBSP/article/view/67. Acesso em: 30/08/2023.

GODOI, R.; GRILLO, C. C.; TONCHE, J. et al. Letalidade policial e respaldo institucional: perfil e processamento dos casos de "resistência seguida de morte" na cidade de São Paulo. Revista de Estudos e Pesquisas sobre as Américas, [S.l.], v. 14, n. 2, p. 1-20, 2020. Disponível em: https://journals.openedition.org/revestudsoc/48112. Acesso em: 30/08/2023.

LARA, A. G. Metodologia para análise na perícia criminal de microvestígios forenses: fios de cabelo. 2016. Disponível em: http://riut.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/2006. Acesso em: 30/08/2023.

REBELO, Fabricio. Homicídios com arma de fogo atingem menor nível desde 1999. Disponível em: [https://www.cepedes.org/2020/09/homicidios-com-arma-de-fogo-sao-os.html], 2020. Acesso em: 30/08/2023.

REBELO, Fabricio. Áreas livres de armas, ou área livre para massacres?. Disponível em: [https://melodiaweb.com/2797/artigos/areas-livres-de-armas-ou-areas-livres-para-massacres], 2012. Acesso em: 30/08/2023.

RIOS, AFM. Homicídios femininos em Porto Alegre entre 2010-2016. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/245872. Acesso em: 30/08/2023.

SANTOS, F. S. Circulação e disponibilidade de acesso ás armas de fogo: efeitos nos crimes letais no Espirito Santo. Repositório UVV, 2020. Disponível em: https://repositorio.uvv.br/handle/123456789/730. Acesso em: 30/08/2023.

SANTOS, T. A. O cenário socio urbano e criminalidade: uma análise dos homicídios no município de Serra no ano de 2014. 2016. Disponível em: https://repositorio.uvv.br/handle/123456789/651. Acesso em: 30/08/2023.

SILVEIRA, F. A autonomia da perícia criminal capixaba como ferramenta de mudança na segurança pública do Espírito Santo. Disponível em: https://www.monografias.com/pt/trabalhos-pdf/autonomia-pericia-criminal-capixaba-ferramenta/autonomia-pericia-criminal-capixaba-ferramenta.pdf. Acesso em: 30/08/2023.

TRINDADE, E. A. Homicídios na Região Metropolitana de Belém: práticas para contenção e vulnerabilidades. Disponível em: https://www.ppgsp.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/teses_e_dissertacoes/dissertacoes/2017/201701%20-%20TRINDADE.pdf. Acesso em: 30/08/2023.

 

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